Como se nada se tivesse passado. Disseram fim, alguém viu
continuação. Questionei-me se haveria perdão, alguém e algo a perdoar. Quis saber
se tudo o que agora, ali, se passava fazia sentido. Perguntei-me onde havia de
facto ido o infinito que o lápis escrevera. Não havia infinito, não havia
horizonte, tudo acabava ali. Parecia. Sem motivo.Tudo continuou. Prevaleceu ela.
A razão.
Não havia muitas certezas que eu tivesse. Na realidade, as
certezas são tudo menos nada, são um entrançado que o presente desfaz, a
cada instante, com o perfume do futuro que se aproxima. As palavras,
esclareci-me, não foram em vão. Ali tive a certeza do que queria um coração.
Mesmo assim, não houve certeza que se aproximasse. Não houve qualquer instinto
de sobrevivência que prevalecesse. Eram os últimos segundos que tinha, e eles
aproximavam-se a correr, como se no fim fossem mais intensos, e enchessem o suficiente
para não me custar partir. Ainda assim, custou o dobro. Ou o triplo. Não sei
por que me custou tanto. Parecia que nunca mais aconteceria. E então percebi o
que se passava. Não era um tenho de ir, era a minha mãe a chamar-me para casa; não era um adeus, era um até já que eu não queria pronunciar; não era um fim,
era uma vírgula que eu me esquecera de colocar...
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| não era nada, era ele, amor. |
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