Uma menina. Umas ruas meio perdidas, passos salteados, não há um eu, não há um tu, não há ninguém. Eu estou aqui, e tu estás aí, eu sou eu, e tu és tu, gente perfeita, tudo magnífico. Agora tem calma contigo, eu mantenho-me calma, estou firme, estou na base, não consigo sair daqui. Ninguém fala, eu já ouvi tudo. As mentiras e as verdades, o que os outros me disseram sem me dizeres, o que eu vi, o que eu julgara que não vira, o que eu tomara por mentira. Eu sei de tudo, eu reconheço toda a gente, eu percebi o que aconteceu. Não me tomem por burra. Não me julguem ingénua. Não me queiram levar a fazer coisas que eu sei que são minhas e que não devem dominar. Não me queiram iludir, não me queiram levar a fazer as coisas só porque sim, só porque querem fugir às vossas responsabilidades. Para ti fui a primeira e a ultima vez. Fui aquela que enganaste e que usaste para teu belo prazer. Eu agora digo-te, coisa, que a vida é curtinha para isto. Não te odeio, não odeio ninguém. Estou em paz comigo, e não estou, mas vou ficar - não duvides. De mim, vais ler a aura cor-de-rosa que paira por aqui. Só isso, porque também é só isso que eu quero que tu leias.

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