Secaram-me as palavras. Eu não dei ordem e não me lembro de ter autorizado que o fizessem mas, durante uns dias, foi como se tudo o que era meu, o meu íntimo, o meu ser, tivesse sido sugado por uma lontra a quem já chamei de leão marinho.
Mas eu voltei aqui, por ti, meu colibri. Porque enquanto a lontra me tirava tudo, tu gastaste as tuas energias para que não me faltasse nada. Sempre que uma lágrima se me atrevia a escapar pela voz tu dizias o quanto ele não me merecia e o quanto te apetecia aviolentá-lo pelo que ele me fez. Ao invés de ires diretamente com a cadeira à cara dele, agarraste nela e puxaste-a para que eu me sentasse, me enrolasse sobre mim mesma, e chorasse tudo o que sentia. E apesar de eu estar a exigir de ti mais do que podia, tu escondeste os teus problemas e abraçaste-me porque viste nos meus olhos a minha dor. Cada palavra dele que escutaras rasgava também a parte do teu coração em que me alojaste. E eu nunca saberei agradecer o que por mim fizeste, porque isso, sei lá, nem dá para agradecer.
Neste momento, sei que não estás bem. Desta vez sugaram-te, e eu sei-me incluída nesse grupo, a vida, e tu estás cansada. Só querias o mar que te acalmasse e o abraço do que te desperta sempre que o despertador toca para te levantares. E sei que há mais do que isto em ti, há mais algo que tu não consegues explicar pelo receio de que se torne real ao pronunciares-te. Sei que sabes que respeito plenamente a integridade do teu ser. E sei que já não duvidas que eu estou aqui, completamente, para o que precisares.
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| you know, I love you. |

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