"Não Ana, não deixes que eles me levem, por favor".
Disseste tu, uma voz que, tão tremulamente, gesticulava uns lábios. Doeu aqui. Doeu isso, doeu ver a tua dor, doeu ver-te a sofrer e eu sem nada poder fazer. Doeu ouvir os teus gritos e não me deixarem ajudar-te, doeu. Garanto que me doeu. E a ti sei que doeu muito mais.
Quando eles te levaram, tenho a plena e concreta consciência, de que tu, minha pequena grande lutadora, estavas cheia de medo, e cheia de incertezas. Quando te levaram do pé de mim e eu fui a correr procurar a pessoa que mais prezas, não pensei que estivesses no estado em que estavas; mas quando tornei ao pé de ti e tu gritavas.. quando eu tornei ao pé de ti, tu não estavas em ti, não eras a minha pequena grande lutadora, não eras a minha doida, não eras tu, e por mais que me digam que eram apenas tu e a tua dor ali manifestados, eu sei que eras tu, a tua dor, e os teus fantasmas.
A tua voz não deixa de ecoar no meu cérebro. Os teus pedidos nem sequer me querem deixar ir. Culpabilizo-me a cada instante que passa, e depois a culpa não se cansa, então torna a atacar este meu corpo que está já débil por ver o teu tão debilitado.
Estou a fazer sentido? O mais provável é não estar. Tenho o corpo dormente e a vista cansada. Dói-me o coração, devido à consciência que tomei de todos os pedidos de ajuda que tu gritaste e que eu, de forma muda, não ouvi.
Posso pedir-te desculpa, mas o meu pedido não vai mudar nada.
Só quero que saibas que gostamos muito de ti, e que estamos aqui contigo. Quanto a tudo o resto, não importa agora, sequer.
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