Boa tarde, coração, como tens passado?
Hoje soube que te arrepiaste quando viste o que não gostas de ver. Habitua-te, fofinho, porque se seguires em frente, vais ter de te habituar a fazê-lo, a ver o que não gostas.
Se tiveres a coragem, que tanta vez enuncias, pode ser que um dia tudo o que te afeta deixe de te afetar. Nem sei se isso é bom - o não te afetar-, mas pode ser que te faça mais feliz.
Já não sei se é a cabeça que começa a procurar defeitos em tudo o que vê, ou se és tu que estás a mostrar as razões para que eu não siga o teu impulso.
Lamento informar-te que não vou ter tempo para me preocupar muito contigo nos próximos dias. Tenho consciência de que quando me preocupar contigo pode ser tarde demais. Mas o melhor de ter essa consciência, é ter a noção de que se assim for, tarde de mais, é porque não tinha de acontecer. Parece-te bem?
Todo este tempo te adiei, te reneguei a felicidade. Mas peço-te que compreendas que é mais num "tem de ser" do que num "aguenta aí".
Desculpa se isto te custar a felicidade, mas neste momento, o meu corpo não tem condições para aceitar as consequências das suas ações, nem a emotividade das minhas reações.
Gosto muito de ti.
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