Sequei, porque a fonte secou. As palavras parecem, agora, movimentos proibidos pelos bailarinos da alma. Se a fonte das minhas palavras, eu & a minha mente & o meu coração, secou, então talvez não seja porque já disse tudo o que tinha a dizer, mas porque há tanto que tenho por dizer e que não o posso fazer, porque se o fizer, já falei de mais. Acho que é por isso que não consigo escrever. As mãos doem-me, mas já não sei se se deve às muletas com que ando; a cabeça dói-me, mas pode ser do nervosismo que se começa a acumular; o pé dói-me porque me descuidei na aula; mas e o coração? Porque dóis tu, coração?
Não me respondas. a sério, não te incomodes com isso. De qualquer das formas, vou ficar de repouso que a minha perna não me deixa fazer outra coisa. Mas, por favor, quando eu te, coração, tornar a dar espaço para chegares à conclusão que já devia estar em cima da mesa há imenso tempo, por favor, não fujas de novo sem uma resposta para mim. Já não há quem te ature, meu gerador de amor.

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