"
(...)
Já não sei mais como descrever a felicidade (desconfio que seja por tentar descrever tudo que as palavras me secaram), mas sei que sou feliz. Não na plenitude, não em todos os campos e aspetos; mas sou feliz. Sinto-me feliz, é isso.
(...)
Garanto, talvez por já me ter debruçado
sobre este assunto vezes de mais, que... estive imensas vezes na dúvida sobre o
que de facto sentia e devia fazer - e acabei a optar por não escolher mais um
atalho.
Tu, meu príncipe, serias um atalho. Era garantia, desde o princípio, que iríamos ser felizes (pelo menos no começo de tudo), que seríamos estáveis e teríamos algo seguro. Conheces cada instante do meu sorriso; reconheço cada instante do teu olhar - era fácil. Mas e depois? Quando o desejo por um corpo fosse o mais ardente de todos? Quando já não houvessem mais justificações para dar, e apenas muito amor impossível de entregarmos um ao outro devido à complexidade de respostas irreais e pouco coesas que havíamos já trocado? Ficaríamos incompletos.
Temos uma amizade com qualquer coisa de perfeito. Mas é só isso, E eu percebi-o depois. Demorei mais tempo a encontrar-me nas linhas da vida, porque também só investi na procura depois de ti. Mas consegui fazê-lo, encontrar-me.
(...)
Eu acabo por escolher um caminho mais trabalhoso, que me exigirá mais tempo de espera por alguém que me dê o perfeito que tu podes dar. Mas esse alguém será também alguém a quem entregarei o melhor de mim e a quem esse meu melhor não fará, no fim, tanto mal assim.
Mesmo depois de todo o infinito que já percorremos, entende uma coisa apenas: eu amo-te. Lá bem no fundo ou À superfície do meu coração, essa será sempre a verdade que irás encontrar. Mas não é um amor que mova montanhas ou que afaste leões só com o olhar, não. É um amor claro, como tanto do nascer do sol, puro e emotivo. Eu compreendo isso. E tu compreendes isto, e tens a certeza de que, se o meu amor por ti fosse o que já desejaste, eu não teria tantos nós deste assunto, no novelo em que está a minha cabeça & coração."
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