sábado, 12 de novembro de 2011

tu, neste caso, eu

Sabes, e isto foi uma das coisas que aprendi com a vida, tudo o que nos rodeia é surrealmente pequeno: 

Tudo o que vimos e vemos não se compara a tudo o que há, pois tudo o que há não se compara ao que somos, porque o que somos não se pode caracterizar, nem contabilizar na sua integridade. Então tudo o que nos rodeia é pequeno, porque somos a única coisa que o mundo mal conhece. Nós sabemos a origem das gerbérias, sabemos como se desenvolvem, como crescem, como se alimentam; sabemos de que são feitas, como sobrevivem, como se desenvolvem, as suas possíveis cores e as suas variâncias. Já nós, humanos, somo todos diferentes, temos todos tantas qualidades e defeitos, temos todos tantos desgostos, tantos amores e tantas memórias e todos tão diferentes... que só isso daria para encher o mundo, e torná-lo num lugar melhor. E se tudo o que escolhemos fosse bom e fosse válido, e se o bom não fosse subjectivo e o mau um passeio sem noite? E se vivêssemos todos com o coração ao nosso lado em vez de ele estar nas nossas mãos...? 

Sinto falta do olhar e de me sentir amar sem ter medo de o fazer. Sinto a falta da estabilidade mínima, a falta que vou combater porque mesmo que tudo corra mal, nós podemos sempre ter a certeza de que à noite haverá luar e que o Tejo continuará a correr para o mar (José Hermano Saraiva).



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