Vai ser para ti uma última vez. Não te vais voltar a ver aqui, porque eu não posso mais escrever-te.
Contei em ti, contigo, os dias e as noites; os momentos melhores e os piores consequentemente. Confiei em ti a minha alma, pousei em ti o meu coração. Fiz tudo isto por seres um porto seguro, como agora procuro. Confiava em ti, mais do que em toda a gente, mesmo que discutisse contigo, que me chateasse, que te ligasse às duas ou às três da manhã, que te desse um estalo ou roubasse o telemóvel... e tu apanhavas-me deitada, levantavas-me ao colo, brincavas comigo e sobretudo transmitias-me a segurançaa que tanto procuro...
Nunca fui estável, e tu combatias sempre a minha instabilidade. Não fiz por merecer a tua amizade, gostava, e gosto, de me fazer de difícil, mas tu vinhas sempre derrubar os obstáculos que ia construindo. Mostrei-te um dia que não te conseguia ter presente na minha vida, porque insistias sempre em algo que eu não aguentava. Soubeste esperar por mim, pelo momento em que eu sentisse saudades tuas e corresse para ti.
Um dia, quando tudo parecia estabilizar, o universo desmoronou-se à sua maneira, para me mostrar um outro caminho... E isso fez com que tudo partisse... com que eu não conseguisse mais combater no mundo em que ambos estávamos inscritos. Deixei-te num local que considerei ser o mais seguro para ti, longe do meu coração, daquele que nunca te soubera receber e, mesmo assim, nunca correu tudo bem.
A minha teimosia obriga-me a contrariar o que muitos chamariam de destino..., e quando te vi agir .. assim.. abandonei-te. Desliguei-te de tudo o que alguma vez te dei. Não quis saber mais de ti, não me quis preocupar mais contigo, apaguei-te de mim.
Obrigada. Obrigada por finalmente me mostrares como isto vai ser.
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