quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Minha Terra

Não sei crescer. Não sei ser um ser que saiba crescer. Tinha imaginado um dia, e uma vida que não consigo pintar. Preciso de ar. Respiro fundo e pego na caneta outra vez.


A terra respira lentamente, vejo a noite a debruçar-se sobre mim. Vem lentamente, vem como quem vem ausente, vem sem vir consciente, mas consente. Também eu consinto que ela se envolva em mim. Suportá-la-ei, por ser ela o meu suporte quando o sol parte e o poema fica sem mote.


Soluça, porque também a terra tem de soluçar. A sua respiração altera-se ao ouvir as ondas do mar. Ondas calmas, que agitam o reflexo da lua no meu olhar. Um arrepio de frio percorre-me a espinha, e a terra envolve-me com mais força, com mais necessidade de me envolver. Alcanço a mesa rasteira onde serviram o chá para me aquecer. Oiço um soluçar. Um soluçar mais constante que sei não ser o soluçar da terra. Ela segreda-me, calmamente, "não chores, não desabites o teu coração. Deixa-o estar só por si, não precisa de sair agora. Fecha os olhos, esquece o presente e o mundo envolvente. Assim, também ele não sente".


A terra não me mentiu. Só chorava porque sabia o que já avistara e sentia saudades do que já tivera. O conforto que a terra me dava era o conforto que tu me davas, pensava. Hoje sei que vivi nas páginas que escrevi e não naquelas que me escreveste.


Deixa a terra falar, eu prometo-te que ela não te irá desapontar.

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