Eu devia, mas não o faço. Cumpri os meus deveres, fui menina certinha o suficiente, o que merecia, o que merecias, o bastante. Agora, agora ... partiste. Se eu já sabia, claro que sabia, nunca foi dúvida. Só o fizeste quando eu deixei de duvidar, quando nas tuas palavras li 'podes acreditar' e me deixei ficar. Foi mentira a toda a pressão, e depois? E depois tenho esse peso morto às costas, sem o escolher carregar, e não sei como o deixar. Preciso desesperadamente de te ter de volta. É um desespero que grito a cada segundo que passa, porque sei que não é impossível ter-te novamente, mas sei também que isso não vai acontecer porque foi assim que ambos escrevemos... e é tão puramente verdade que até dói. a mim claro, não a ti. O teu coração é tão insensível quanto parece, e isso ainda custa mais por saber que te é indiferente o que causaste no meu. Não te guardo qualquer ressentimento... foste do bom e do melhor, do perfeito ao infinito... cruzaste o meu universo, mais bruscamente que um cometa, e de forma mais intensa do que uma estrela cadente... mas deixaste uma marca de meteorito que não fecharei assim, no concluir da próxima rotação... baaaah, já nem escrever me deixas! Devias ter vergonha, ah espera... já nada sentes. não tens nada, não ofereces nada, fechas os olhos, e já tudo passou.
Todas as palavras que me disseste, tudo o que fingiste que sentiste a mim pareceu-me tudo verdade... mas como te amava, toda a voz era verdadeira, porque tu dizias, e eu não queria escolher não ouvir. Por isso, sim, a culpa é minha, a de estar assim...
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