E o mais engraçado é que costumavam ser outras palavras,
outras verdades...
"Pedi
silêncio, o tempo queimou-se. As palavras que ia escrevendo queimaram-se na
minha garganta, como se as impossibilitassem de ser ditas. E o que as
impossibilita de saírem, de serem expressadas, ditas, faladas, sou eu. Porque
não me canso de me lembrar que tudo tem um fim, mesmo que, lá no fundo, o
coração não queira. (...) A
vontade de falar sobre ti foi completamente reduzida a nada, pois sempre que me
recordo de tudo, a verdade parece ser um pouco mais dolorosa, talvez porque as
saudades do que já existiu se cravam e arranham e engolem o coração, esta
pequena casinha, com o rio de lágrimas a correr-lhe constantemente à porta, com
o caudal sempre cheio, sempre farto, sempre capaz de inundar e de verter para a
margem da vista. Está na hora de dizer adeus a tudo. Está na hora de deixar de
fingir que não existiu.
(...)
A verdadeira verdade? Desconheço.
Mas parei de a procurar, apenas e só, porque percebi que não tenho de me
criticar por optar cumprir o que a minha consciência, com quem sempre durmo,
dita. Talvez seja um erro, a teu ver, nem critico. Talvez a ver de todos os
outros o seja. Bom, que seja. O ver dos outros não importa. Aqui sou eu e tu,
neste conflito de interesses, e neste momento já sou só eu a importar. Soubeste
jogar limpo? Não. Por acaso foi só um erro? Não foi um, apenas, foram dezenas.
E errar é humano? Claro que sim, mas há erros e erros. Tiveste só uma
oportunidade? Foram duas, pelo menos. E eu já não tenho de me justificar! De
certa forma, agradeço tudo o que fizeste, tudo mesmo. Acabaste por fazer o
trabalho de jardineira que mais cedo ou mais tarde teria eu de fazer.
Poupaste-me horas disso, não me poupaste horas de ardor interno. Enfim, é
apenas um mero desabafo emocional."

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