quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Assim.

Tantas emoções num só dia, e não diria que alguma delas seja boa. Mas talvez não o diga porque o disse sem pensar. Talvez olhando bem, estas lágrimas que me escorregam pelo rosto até tenham algo bonito e bom escondido por trás, e isso não seja visível a olho nu... para proteção de mim própria, talvez seja isso.  O meu avô e o meu amor. Embaciou-se tudo um pouco e, por isso, peço desculpa se as palavras não soarem bem.

São onze anos, meu avô. Faz hoje onze anos que foste para onde estás, e que a tua cúpula são apenas as estrelas que só ao anoitecer alcançam o meu olhar. Perdoa-me por te continuar a procurar nelas todas as noites, sei que precisas de descanso desta minha insensata busca por ti. Mas é reconfortante, sabes? Porque sei que as estrelas são luz resultante de outro fim, e porque assim parece que até tens um lar bonito e que estás bem. Sei que enquanto neta mais velha não devia dizer isto, devia manter a postura e levantar o sorriso da avó e da Catarina. Perdoa-me por não o conseguir fazer hoje. Sei que tenho muito em comum contigo, desde o recorte na minha orelha, às tuas reações quando algo não te agradava, à teimosia. Tenho todo o orgulho nisso e em pronunciar o teu apelido diariamente. E em ser tua neta e em gostar tanto de ti.

Meu amor, podes não ficar assim? Vê como eu te mostro as coisas, não vejas coisas que não existem, quando és o único a ter A importância. Amo-te assim e apenas a ti.



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