sábado, 21 de abril de 2012

Insistir: enquanto verbo intransitivo, significa manter ou repetir uma acção. Mas se adicionarmos a opção de verbo transitivo, significa também persistir, preservar ou teimar em. 


Eu não sei de onde vieste, decidi perguntar-te, mas o medo que rejeitasses a minha pergunta era imenso, foi imenso, e calei-a. Mas ela insistia em ser perguntada, e eu não a consegui calar. Que teimosia, que persistência, que maçada. Que ser impulsivo que sou, que ser que não se cala, que não sabe quando falar, que não sabe ficar no seu mundo e apenas pairar- que ser! "Tenho fome", proferi então. E ele, ele não soube o que responder. Puxou da minha mão, e fugiu com ela. Percebi depois "Roubou-ma!". Ele negou que o fizera e eu olhava para mim e via-a, sentia-a, ela estava ali. Mas eu insistia que ela ali não estava. Pedi-lhe que ma agarrasse outra vez, e ao toque dele estremeci. Confirmei a sua presença na existência da minha mão. Foi agradável. Muito agradável. 
Agarrei nos meus dedos e percorri-lhe cada contorno da mão, e depois do rosto, e voltei à sua mão, e acariciei-lhe a mão, e depois todo o rosto, novamente. E fiquei assim, persisti naquele gesto, como se não soubesse parar. Será que queria parar? Não queria. Aquele toque sabia a epifania, sabia bem. E eu insisti. Ele não se queixou, não me parou, nem me impediu. 

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