Não me peças mais a fuga. Fogem-me os dedos, foge-me a alma, foge-me a esperança e esse amor, que nunca foi amor, mas que por mim passeou.
Não sei se foi consciente que o fiz, nem sei se a razão pelo qual o fiz não se prende naquela necessidade de ter o que não tenho; mas foi uma ilusão que se aconchegou no meu coração, que não quer partir, e que nunca quis chegar.
Meu mundo, que te precipitas a fugir de mim, meu coração, que achas que deve ser assim, entendam que a calma, sem fazer parte de mim, sente necessidade de se manter no para-sempre e âmago do "enfim".
Foges tu, capitão, senhor oficial, ainda sem posto... Desejaste passear por onde não conhecias, colonizar o que não era teu; aventuraste-te em palavras que tão bem conheces só para conquistares mais um coração.
Deixa-te disso, pequeno fuzileiro, que o meu coração já tu fuzilaste; mas deixa-me viver neste sonho, que em mim crio, e onde o tudo é nada e o que não vejo nunca me pertenceu. Deixa-me ter este meu sisudo amável*, para que mais ninguém me tire aquilo que me deixa fiável.
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| I'm free, you can't stop me |
*referência à musica que não me saía da cabeça: Sisudo Amável - João Gil e Luís Represas
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