terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Meu país

Não creio que seja um desamor a esta terra que me viu nascer, mas acredito que neste país, onde tudo é um infortúnio, eu sou apenas habitante de um país onde não me vejo, num futuro, apenas, a ficar.

Por fria me tomam, por egoísta me vêem, e por egocêntrica nunca me esquecem, mas a verdade é que as justificações para estes meus atos, que a cabeça ou o coração tentam controlar, não residem nas cabeças que por aí andam. Criticam a minha forma de estar cada vez que passo pelos passeios cheios de gente, cuja beata quase me queima a ponta dos dedos das mãos. Não lhe chamo inveja por acreditar que neste país é necessário uma atitude menos negativa e é necessário despertar a cultura nesses que tanto se fascinam com o que recusam apreciar - mas seria inveja a palavra a aplicar. As pessoas pedem desculpa pelas suas ações mas esquecem-se de pedir com vontade. E se não pedem com vontade é porque têm uma justificação no seu íntimo que os faz pensar que só eles têm a razão, e que de resto, as coisas fazem-se por oportunismo. País de oportunistas. País de cabeças ocas. País de gente ligada ao comodismo - aqui, muito se queixa e pouco se mexe. E todavia somos um povo que tendo sido sempre assim, o tem sido como em quase 9 séculos e como povo, com quase 14séculos! Grandeza, sabedoria ou sobrevivência?

Impressiona-me este desinteresse português por estas suas capacidades de se preocuparem com pequenas, e apenas as suas pequenas, coisas. Deve ser por isso que este país, mais do que me fascinar, me entedia. Tem as suas praias algarvias, e o seu frio do norte; tem o seu clima ameno do centro e os calores alentejanos; conjuga em si a beleza das cidades de Lisboa e Porto, e mesmo assim, fecha-se à sombra de uma amendoeira. Escorraçam as poucas vontades que aqui existem, fecham-se horizontes, e tudo isto porque sim, porque "pareceu melhor a fulano, e o outro concordou". Que tédio de país. Que tédio de pessoas. Que desilusão é não encontrar, no meio da multidão, alguém disposto e capaz de falar sobre algo mais do que o seu mundo. É isto que nos deixa tão pobres e tão constantemente dependentes do exterior para salvar este nosso país à beira mar plantado. Mas enquanto não se amarem, do fundo do coração, estes pequenos paraísos que aqui encontramos, aquela nossa típica cultura portuguesa (desde o fado à gastronomia), e enquanto não se conseguir olhar para este nosso mundo sem ser com o nosso umbigo, então não se espere que haja grande mudança nesta mentalidade portuguesa. 

Cativem-se cérebros e inteligências; cultive-se cultura e curiosidade (de algo mais do que o jantar do vizinho); cultive-se amor e perseverança, e palavras como paz e esperança. Cultive-se justiça e vontade de ficar num país que, depois de percorrer tanto mar , ainda não descobriu a sua matriz.

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