Então a noite entrou por mim, como se o amanhã não fosse apenas mais um dia, mas uma noite sem fim. Não me apeteceu sair, não me apeteceu fingir ser quem não sou e tornar a encarar uma personagem sorridente. Hoje simplesmente não me apetece.
Tenho o coração pesado, carregado de mágoas de outros, de injustiças cometidas, assistidas e incapazes de, apenas por si, serem eliminadas. Porque o coração insiste em verter a lágrima que apenas cá dentro se acumula...
Serei eu um apessoa falsa para que, em toda a minha volta, nasçam semi girassóis com semi pétalas, e apenas um semi brilho? Porque é que tudo não pode tornar à realidade existente que tanto se gosta? Sei perfeitamente que tu, meu coração, não vais aguentar o dia de hoje, e que vais entrar no cinzento com que estás pintado. Cortas-me a respiração só de me fazeres pensar que o teu mundo vai congelar porque eu não sou capaz de pôr um ponto final, de separar o que é dos outros do que é meu. Hoje, sim, hoje carrego tudo o que não me pertence apenas por ter acordado do meu semi sono, semi nervosa por ter tido apenas uma semi noite. Então eu aqui te prometo, meu coração, que hoje não te vou negar a possibilidade de te comoveres com o que pode ser visto e que os outros fizeram com intenção de deixar um "tick" nos outros corações, de os moldarem e tornarem melhores. Por isso descontrai, meu gerador de amor, que esta noite é só tua, e não permitirei que ta tirem.

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