Deixei de consumir ilusões, essa droga que nos afecta no instante em que inspiramos e sorrimos para um desconhecido que gostávamos de conhecer.
Deixei de consumir porque a realidade e a ficção se costumam misturar diariamente nas curvas do meu corpo e no calor da minha mente. Não me iludo mais, porque o coração já não se aguenta.
Enquanto me iludia, sorria falsamente para todos e para ti que me abriste o coração, o curaste e o mantens vivo por estes dias em que não há sol nem há amargura; por estes dias em que há dia porque não mais vejo a lua. E eu sorria de igual modo, sem distinção. Quando deixei de, por ti, me iludir, apercebi-me de que o sorriso vinha de um coração marcado, e que ele ia ser sempre marcado por alguém que o merecesse, quisesse e cuidasse, por alguém que o desejasse. E que quando assim não fosse ele guardaria essa pessoa como uma recordação do que hoje é, sem se deixar ser perturbado pelo que as outras pessoas não são - pessoas.
E hoje eu já não sinto a falta desse sorriso que eu achava arrojado, verdadeiro e que me fora tirado. Hoje é quase como se agradecesse, sem o fazer, por esse sorriso já não ser o meu. Porque agora conheço o verdadeiro sentido do verbo sorrir, um sentido mais puro, mais verdadeiro e melhor. Um sorriso que se eu não esconder todos podem ver. Um sorriso que não é de circunstância, que não sai quando querem. É um sorriso que só sai se o coração lho pedir, que só sai se quiser sair, e incapaz de ser falsificado.
Hoje, se não me vires, não me peças para deixar de sorrir para onde todo o mal veio; pede-me para abraçar o mundo, que não é feio.
(um ano depois do primeiro texto escrito após todo o meu mundo ruir)

Sem comentários:
Enviar um comentário