segunda-feira, 26 de setembro de 2011

cai e não cola

A chuva cai na pele quente, e magoa. Não vejo de onde vem, mas do céu sei que não é. Limpo o meu rosto e vejo que a chuva também o inundou, e é aí que percebo porque é que ela me magoou.

Olho para as estrelas... para as estrelas que são sempre um chão depois do fim, que iluminam sempre, mais do que o sol, por me levarem à mesma cor, e à única que agora se identifica no meu coração.

Mas depois a noite é tão silenciosa... lembra a bruma da madrugada, e o que as diferencia são as tonalidades do azul e do dourado. É assim que reaprendo a amar o Sol e a deixá-lo iluminar os dias que não passam de consecutivas noites, quando a noite não consegue deixar de ser uma constante.

E os instantes doem-me então um pouco mais. Não aqueles que passam despercebidos mesmo por baixo de mim, mas aqueles que recupero a todo o instante... Aqueles que transformo em presente  e que torno a viver no presente ausente.

Inspiro, expiro e o mundo continua o seu percurso. Mas continua com toda a calma, porque não tem por que ter pressa. E eu não tenho por que o apressar, por não saber onde quero chegar. 

E é então que me resguardo num lugar, num não lugar, num lado qualquer que não é um lugar, à espera de que o rosto que para quem eu vá olhar, seja o meu, e não o do luar...

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