quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Duvido.


Não me repitas essa lengalenga da solidão. É tão mentira quanto eu acho que é. Talvez… talvez se me deixasses partilhar contigo esse peso que carregas por tua livre e única escolha… Talvez se me deixasses carregar esse teu ónus também o meu mundo tivesse um a menos. É que fazes parte da minha rede, e se não estás firme não estou segura, consegues perceber?
Esta noite escrevo por este traçado de linhas que me entrançam e que constroem o caminho onde navego. Esta noite vou confiar nos meus instintos, e não ter medo das minhas próprias palavras.
Não sei aceitar este caminho que me traçaste, e se não o aceitar, vou parar no mundo, será isso? Vou desafiar-te. Desafio-te diariamente, mas esta noite vou desafiar-te mais uma vez. Não sabes o que digo, pois não? Sempre foi minha intenção baralhar-te para não poderes dizer que to escondi. Eu não to escondi, apenas não o publiquei no teu coração. Disse-o, mostrei-to de uma forma invisivelmente definida. Sei que não acreditas, porque se acreditasses eu sabê-lo-ia. Não vais dizer nada, pois não? Não precisas de responder pois é assim que frequentemente me respondes – não respondendo.
Vou definir-te mais uma vez: esta noite não me consigo expressar através de ti. Misturo tudo, porque tenho mais de três linhas na minha mente. E sei que não estão todos no mesmo patamar, mas todos gritam o meu nome. Esta noite, sim? Esta noite, pois claro. Não estás sozinho, acreditas em mim? Aliás, nenhum daqueles que me ocupa está sozinho. Eu não consigo deixar nem quem merece nem quem não merece. Agora escrevi-o e duvido das minhas próprias palavras, duvidas também?
Em Ligações perfeitas acreditas? Não, não acreditamos. Em amizade inocentemente verdadeira, acreditas? Podemos acreditar. Não vou mentir, porque não sou capaz de to fazer… Reinas-me. É uma pergunta que não interrogo para que não me castigues por disso duvidar… Mas é uma dúvida legítima, não é? Consegues responder-me? Responde-me por favor.
… Também tenho de me responder. Não gosto disto, mas tenho de o fazer.
Duvido.

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